24 de agosto de 2026
IELAC: Fazer bem para durar
Por Paulo Pires
Se me pedirem para resumir a IELAC numa frase, digo-o sem hesitar: somos uma empresa com um potencial instalado e em crescimento constante, na área das instalações especiais. Mas essa frase, por si só, não explica o que verdadeiramente nos distingue. Isso explica-se pelas pessoas.
Uma diferenciação que se sente no terreno
Ao longo dos anos, percebi que o único padrão em que a IELAC realmente se distingue, e falamos muito disto internamente, é o nível técnico da nossa equipa. Temos um conjunto de técnicos com um know-how que considero acima da média, capazes de entregar, em obra, prestações de elevado nível técnico e de responder com eficácia aos desafios que surgem. Digo isto com orgulho, porque tem a ver com as pessoas que escolhemos e com a forma autodidata como estão constantemente a aprender. Quando surge uma situação nova, uma questão de inovação para a qual ainda não temos resposta imediata, passadas poucas horas ou dias já a dominamos de trás para a frente. Não ficamos à mercê do desconhecimento.
Isto é particularmente relevante no mercado atual, em que os prazos cada vez mais reduzidos impostos às equipas projetistas resultam, muitas vezes, em projetos que necessitam de ajustamentos e melhorias durante a fase de obra. Cabe-nos a nós, em fase de obra, identificar essas oportunidades de melhoria e apresentá-las ao Dono de Obra. Naturalmente, algumas dessas melhorias podem ter impacto técnico, económico ou no plano de trabalhos, mas é isto que nos permite ser reconhecidos pelos nossos clientes.
É este reconhecimento técnico no mercado que nos posiciona como uma marca de referência, inclusivamente quando outras empresas nos procuram para fazer arranques de sistemas connosco.
As áreas de negócio: um crescimento equilibrado
A IELAC assenta em três grandes áreas: instalações elétricas, instalações mecânicas, e manutenção e assistência técnica. Se me perguntarem qual delas ganha hoje mais relevância, a resposta honesta é: nenhuma em particular, porque estão as três em crescimento equiparado. Estamos numa fase de construção forte, o que mantém a execução elétrica e mecânica em ritmo elevado, mas estamos também numa fase de manutenção muito forte, com cada vez mais entidades, incluindo instituições públicas que antes não o faziam, a apostar na manutenção preventiva em vez de esperar pela avaria. Há uma década, a resposta seria diferente; hoje, ambas as vertentes estão num estado maduro, mas com crescimento constante.
Há projetos de que me orgulho particularmente, e são, sobretudo, as intervenções que fizemos em ambiente hospitalar. Conseguimos executar obras complexas, nalguns casos com a substituição integral de unidades técnicas em 48 horas, sem provocar qualquer perturbação no funcionamento normal do hospital. Isso exige uma articulação muito próxima com quem gere a instituição, e não acontece por acaso: é fruto do trabalho e do profissionalismo das nossas equipas. É este tipo de intervenção, executada com rigor e sem perturbar o essencial, que melhor traduz a forma como a IELAC pretende afirmar-se no mercado.
O futuro: sistemas críticos e inteligência ao serviço da energia
Olhando para a frente, há uma ideia que temos vindo a amadurecer internamente: posicionar a IELAC como uma empresa de resolução de sistemas críticos. Não falo de manutenção preventiva, mas daquelas situações em que um sistema deixa de funcionar e ninguém consegue perceber porquê: muitas vezes a avaria depende da conjugação de três ou quatro fatores, e raramente há alguém capaz de olhar para o problema como um todo. É como uma intervenção cirúrgica complexa: é preciso uma equipa capaz de juntar as peças que, isoladamente, ninguém resolve. Já temos casos assim, clientes que nos ligam para problemas que nada têm a ver com a obra que fizemos, e que persistem há muito tempo sem solução. Hoje isso é uma exceção; o objetivo é transformá-lo numa área de negócio própria, talvez não de grande escala, mas seguramente de grande rentabilidade e de valor claramente diferenciado.
Outra frente para a qual olhamos com atenção é o armazenamento de energia. A eficiência energética, por si só, já é uma área madura: o fotovoltaico, por exemplo, está hoje ao alcance de qualquer empresa. Mas o armazenamento, seja de energia elétrica, seja de frio através de bancos de gelo produzidos durante a noite para consumo diurno, é ainda uma área onde os tempos de retorno do investimento tendem a baixar à medida que a tecnologia amadurece. É uma tendência que acompanhamos de perto, porque a energia só vai continuar a encarecer, e a capacidade de a armazenar de forma inteligente será, cada vez mais, um fator de competitividade.
E depois há a gestão técnica associada à inteligência artificial, que considero um dos desenvolvimentos mais interessantes dos próximos anos. Não é que a inteligência artificial seja “mais inteligente” do que uma pessoa: consegue analisar, em simultâneo, uma quantidade de variáveis que nenhum ser humano consegue processar sozinho. Um sistema de gestão técnica atual não se limita a ligar e desligar equipamentos à distância, como acontecia há alguns anos; hoje consegue decidir, por exemplo, se compensa desligar o ar condicionado durante a noite tendo em conta o consumo necessário para repor a temperatura de manhã. Consegue ainda antecipar avarias, cruzando estatísticas de consumo e padrões de funcionamento de motores, para nos dizer que um determinado equipamento tem X% de probabilidade de avariar num dia específico, permitindo agir antes de a falha acontecer, e não depois. Em contextos como um bloco operatório, essa antecipação pode significar a diferença entre uma cirurgia adiada ou não. É também por isso que existem hoje incentivos, a nível nacional e europeu, para tornar os edifícios cada vez mais próximos do conceito nZEB (Nearly Zero Energy Building), reduzindo os consumos energéticos e as emissões associadas, e é um caminho no qual queremos estar sempre posicionados e prontos para participar.
A mensagem que fica
O nosso setor tem, e vai continuar a ter, condições muito sólidas para crescer. Se recuarmos 30 anos, as instalações especiais representavam 10 a 15% do valor de uma obra. Hoje, em alguns casos, já ultrapassam os 50%. É uma área que continua a crescer mais depressa do que a construção que lhe serve de base.
Quanto à IELAC, a mensagem que deixo é simples: quem nos conhece, sabe. Sabe do rigor com que trabalhamos, da capacidade técnica das nossas equipas e da responsabilidade com que assumimos cada projeto. Às vezes sentimos que, por desconhecimento, alguém de fora nos vê como mais uma empresa equiparada às outras. Não é assim, e sabemo-lo pelos clientes que voltam a procurar-nos, sempre. Se por vezes recusamos projetos, não é por falta de capacidade, é por consciência: preferimos fazer bem sete ou oito obras do que fazer mal catorze. É essa a identidade que queremos continuar a proteger, e é isso, no fundo, que nos vai permitir crescer.



